O avanço dos atendimentos psicológicos realizados por videoconferência ampliou o
acesso da população aos serviços de saúde mental e consolidou novas formas de
cuidado. Ao mesmo tempo, essa modalidade também expôs profissionais a
situações de violência que precisam ser reconhecidas, enfrentadas e combatidas.
Entre essas ocorrências está o assédio sexual durante atendimentos on-line,
quando pacientes ou pessoas que agendam consultas utilizam a sessão para
praticar atos de cunho sexual sem o consentimento da(o) profissional. Nesses
casos, a violência ocorre no contexto da atividade laboral e não pode ser confundida
com uma demanda clínica ou tratada como um episódio inerente ao exercício da
profissão.
Para o Sindicato das Psicólogas e dos Psicólogos da Bahia (SinPsi-BA), é
primordial que essas situações sejam nomeadas pelo que realmente são: formas
de violência e assédio que atingem a integridade, a segurança e a saúde
mental das(os) profissionais.
Dados de um estudo publicado em 2021 no International Journal of Environmental
Research and Public Health, analisou a realidade de 901 profissionais da saúde e
da assistência social. A pesquisa identificou que 62,5% das(os) participantes
relataram ter sofrido assédio sexual não verbal praticado por pacientes, clientes ou
usuários. Entre profissionais que atuavam em serviços psiquiátricos, esse
percentual chegou a 66,2%. O estudo também apontou associação entre essas
experiências e prejuízos ao bem-estar, sintomas depressivos e queixas
psicossomáticas. Embora os dados sejam provenientes da realidade alemã, eles
evidenciam que esse tipo de violência também integra os desafios enfrentados por
profissionais da saúde em diferentes contextos e reforçam a necessidade de
discussão, prevenção e acolhimento.
No Brasil, o assédio sexual constitui uma grave violação de direitos e, a depender
das circunstâncias, pode configurar crime previsto na legislação penal, além de
outras infrações passíveis de responsabilização civil e administrativa. Quando
ocorre durante o exercício profissional, também compromete as condições de
trabalho e a garantia de um ambiente seguro para o atendimento.
Diante desse cenário, o SinPsi-BA reafirma que psicólogas e psicólogos não devem
naturalizar esse tipo de ocorrência nem enfrentá-la de forma isolada. Interromper
imediatamente o atendimento diante de uma situação de violência, registrar o
ocorrido, preservar eventuais provas e buscar apoio institucional são medidas
importantes para a proteção da(o) profissional. O Sindicato também defende o
fortalecimento de políticas e protocolos voltados à prevenção e ao enfrentamento
dessas situações, bem como a ampliação dos canais de acolhimento, orientação e
denúncia. Garantir condições dignas e seguras para o exercício profissional é um
compromisso permanente com a valorização da categoria e com a defesa da saúde
mental das(os) trabalhadoras(es).
O SinPsi-BA manifesta solidariedade às profissionais que já vivenciaram esse
tipo de violência e reforça seu compromisso na defesa de ambientes de
trabalho livres de qualquer forma de assédio, discriminação ou violência.
